quarta-feira, 15 de novembro de 2017

40 ANOS DE UMBANDA - CASOS, CONTOS E HISTÓRIAS (Delmo Ferreira)



A tradição oral, passada pelos antigos aos mais novos, sempre foi um dos costumes mais caros às tradiçoes afrobrasileiras. É através de mitos, histórias e canções que os sábios anciões ensinam aos mais novos seus costumes, sua cultura e os mais importantes fundamentos de sua religião.

Há mais de 30 anos à frente de um dos mais respeitados templos religiosos de Umbanda do estado do Rio de Janeiro, o professor e acadêmico Delmo Ferreira revive neste livro essa tradição.

Se em tempos de internet e mídias sociais a oralidade e a vivência dentro de terreiros e templos é substituída por cursos à distância e "pais de santo" virtuais, Delmo Ferreira resgata das névoas da memória histórias e "casos" seus e de algumas das centenas de pessoas que ele pessoalmente iniciou nessa religião.

Muitos de seus "filhos" e "filhas", "netos" e "bisnetos" são hoje, eles próprios, sacerdotes à frente de suas casas, perpetuando e mantendo viva a história e os rituais da Umbanda praticada pelo autor e sua esposa, Iva Maria Ferreira, há mais de 40 anos.

São histórias que ensinam, divertem, exemplificam e, acima de tudo, revelam um pouco dessa mítica religião e da visão de mundo dos seus seguidores.

Neste livro, você está convidado(a) a receber um pouco de toda essa vivência e experiência do autor. Aproveite!

Por: Delmo Ferreira

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

EXU TIRIRI QUEDA E ASCENÇÃO NA BUSCA DA EVOLUÇÃO (Hélio Doganelli Filho)



Ainda que religiões predominantes no mundo tenham impregnado na sociedade a errônea imagem sobre Exu, sincretizando-o com um tal de Diabo, o leitor poderá entender e desmistificar essa lenda, vivenciando com os olhos da alma os diversos graus espirituais narrados na história, os quais relatam a existência de seres bons e seres ruins, assim como existem também encarnados na Crosta Terrestre, pessoas que são boas e ajudam seus semelhantes em todos os aspectos, e outras perversas que em muitos casos tiram inclusive a vida de outro ser humano. Em sua sensacional trajetória pelas esferas negativas, iremos conhecer vários domínios espirituais que trabalham pela lei e pela justiça divina em densos níveis vibratórios, zelando sempre pelo equilíbrio e pela restauração de todos os seres que neles habitam. É possível compreender nas narrativas de Guardião Tiriri, que nós somos nossos próprios juízes, e, nas mais diversas e difíceis situações que por vezes nos deparamos, resta somente a nós mesmos, a compreensão de nossos erros, de nossos ódios e de nossos apegos para conseguirmos assim a restauração espiritual em busca da evolução. Desejo ao leitor que possa ler a história não somente com os olhos materiais, mas sobretudo com os olhos da alma, para que possa, assim como eu, compreender e assimilar a experiência e os ensinamentos transmitidos por Exu Tiriri e que possa levar as outras pessoas pelo menos uma Pequena parte das dádivas, contidas nestas páginas, sobre a Lei e a Justiça Divina e sobre o infinito amor de Deus, nosso criador, que a nada desampara no Universo. 

Por: Hélio Doganelli Filho

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

SENHORA POMBAGIRA ROSA CAVEIRA (Ed Sant'Anna)



Toda mulher é uma bruxa natural. Ela possui o sexto sentido, assim como o “ser mãe” é a magia da vida. Assim é Dona Rosa Caveira: uma mãe! Dona Rosa Caveira lutou por sua liberdade e continua firme ao lado daqueles que anseiam por sua evolução. Assim como todas as guardiãs nos trazem mensagens para desmistificar algumas linhas de pensamentos preconceituosas, Dona Rosa Caveira nos cerca e atinge neste conto seus propósitos, como o de mexer com os sentidos de quem o ler para que este possa soltar suas amarras e travar a ideia do real objetivo da evolução espiritual, pois a vida é a oportunidade máxima e não se espera que a felicidade venha bater a sua porta.  Saravá Dona Rosa Caveira! Meus respeitos...

Por: Marcelo Gutierrez

terça-feira, 10 de outubro de 2017

ARUANDA - A MORADA DOS ORIXÁS (Daniel Soares Filho)



O livro está dividido em duas grandes partes. A primeira tem um desenho descritivo baseado em uma coleta de dados e informações a respeito do conceito de Aruanda. Longe da pretensão de ser uma definição doutrinária, os capítulos visam trazer para os leitores um pouco da trajetória do autor no que se refere às pesquisas e, porque não dizer, as suas curiosidades com relação ao tema. A segunda parte tem por objetivo apresentar algumas histórias narradas pela espiritualidade e quem têm um caráter de ensinamento para a vida de todos os que, de uma forma ou de outra, buscam crescer como seres humanos e seres divinos, ou como dizem grandes Mestres da humanidade: a busca do Despertar Espiritual. Em suma, o texto busca esclarecer o conceito e as histórias sobre a “colônia espiritual” chamada Aruanda que é uma referência umbandista. Além de apresentar as questões conceituais, busca ser a apresentação de uma realidade de terreiro, uma vez que traz também informações obtidas em “entrevistas” com Pretos Velhos e Pretas Velhas quando estes estiveram “na Terra” em algumas Tendas de total confiança e idoneidade.

Por: Daniel Soares Filho

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

DEPOIS... (Osmar Barbosa)



Qual seria a mais difícil de todas as perguntas? Entre todos os questionamentos da humanidade, qual seria essa pergunta sem resposta? Não me refiro àquelas questões mais cotidianas de nossas vidas ordinárias.

Existe vida após a morte? Qual é o motivo da vida? De onde viemos? Para onde vamos? Quem sou eu? Por que nasci nesta família, neste continente, neste país? Por que meu pai é o meu pai e minha mãe é a minha mãe? Meus irmãos, quem são? Minha família? Por que eu estou aqui? Por que neste corpo, nesta pele, falando este idioma? Tudo termina com a morte? Deus existe? Definitivamente nós precisamos aceitar a realidade que se descortinará à nossa frente assim que deixarmos nosso corpo físico. Somos seres eternos. Estamos encarnados por um motivo óbvio: evoluir. Você pode me perguntar o que é evoluir. Por que necessitamos dessa evolução? Para onde eu vou quando morrer? Por que existe a morte? Por que morrem as pessoas que mais amamos? Será castigo? Por que tudo isso? Por que tanto sofrimento? Qual o objetivo de tanta dor? Deus me castiga? Que justiça é essa? Quais os verdadeiros motivos de Deus para a morte? O que tem por detrás dela?

O que vem depois...

A vida é muito curta para ficar aqui perdendo nosso tempo falando de coisas deste mundo. Uma coisa é certa. Essa vida vai terminar. E o que será que vem depois...

As páginas a seguir lhe trarão informações exclusivas de como tudo vai acontecer com você e comigo quando deixarmos essa curta existência aqui na Terra.

Ao acompanharmos a trajetória de Nicolas, iremos compreender muitas coisas. Vários porquês serão respondidos neste livro. O mais importante para mim, como escritor desta obra, é chamar a atenção de todos os leitores para a necessidade de trazer para dentro de nossa alma a compreensão de que somos ainda aprendizes dessa nova era. O espiritismo é uma crença ainda em sua infância; muitos espíritas estão equivocados com a religião, e isso é normal para quem ainda acabou de nascer. O espiritismo é como um bebê curioso que tudo experimenta para crescer saudavelmente.

Nós, meros estudiosos e interlocutores do alto, não podemos nos refutar a passar adiante as informações que nos são trazidas da vida espiritual. Que por sinal são muito lindas!

Aquele que lê somente um livro espírita é um leitor espírita, mas aquele que experimenta a literatura espírita com mais abrangência deixa de ser um leitor e passa a ser um experimentador da religião do futuro.

A história trazida por Nicolas, neste livro, é um sinal, uma direção, uma luz neste universo de escuridão.

Espero, sinceramente, que este livro possa lhe auxiliar a compreender por que você está aqui. E espero que você aproveite bastante esta oportunidade. Espero que você não perca nem um segundo de vida e não desperdice as oportunidades, não as deixe fluir entre os dedos. Que cada experiência seja proveitosa à sua existência e que você possa compreender que tudo tem um motivo; que todos nós estamos em um projeto único, que estamos ligados uns aos outros, que não somos fruto do acaso. Espero que você, amigo leitor, encontre neste livro a razão de seu viver e aproveite bastante para ser o ser mais feliz do Universo.

Espero que você se conscientize e se prepare para o que vem DEPOIS...

Por: Osmar Barbosa

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

PEREGRINAS DE APARECIDA (Ademir Barbosa Júnior)


 No segundo semestre de 2018, o escritor Ademir Barbosa Júnior (Dermes) enviará um exemplar do seu livro “Peregrinas de Aparecida” (São Paulo: Anúbis, 2018, 110 pp.) ao Papa Francisco. Em 2015, num gesto que favorece o diálogo interreligioso, o Papa recebeu um exemplar do “Dicionário de Umbanda” escrito por Dermes e entregue ao pontífice, conforme documento da Secretaria de Estado do Vaticano emitido em 25/7/2015. Segundo o autor, o papa é afeito ao diálogo interreligioso e foi o primeiro a receber um sacerdote de religiões tradicionais de terreiro, fato ocorrido em sua visita ao Rio de Janeiro, em 2013, quando conversou fraternalmente com o Babalaô Ivanir Santos.

 “Peregrinas de Aparecida”, em fase de preparação, é uma homenagem aos 300 do episódio que deu origem ao culto a Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 2017. “Trata-se de uma narrativa em que mulheres partem de Piracicaba (SP), numa van, em excursão, até Aparecida. Há duas freiras (uma extremamente amarga), uma grávida que não sabe se abortará, uma umbandista que vê em Nossa Senhora Aparecida o sincretismo com o Orixá Oxum, uma transexual e outras personagens femininas fortes”, explica o autor.

Com mais de 80 livros publicados no Brasil e em Portugal, alguns com tradução para o inglês, o italiano, o espanhol e o esperanto, e 38 revistas especializadas, Dermes dedica o livro à Pastoral Afro da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Piracicaba – SP. “Num diálogo fraterno, a Pastoral Afro sempre caminhou conosco, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida à frente, à beira do rio, na homenagem a Mamãe Oxum, que sempre contou com a participação de artistas como Aninha Barros, Elaine Teotônio, Tony Azevedo, Roseane Luppi Ediana Raetano Deh Martins, dentre outros”, esclarece Dermes.

Nossa Senhora Aparecida é figura constante na vida do autor. Sacerdote umbandista, é filho de Xangô e Oxum, Orixá das águas doces, sincretizado com Nossa Senhora Aparecida. O primeiro curta-metragem dirigido por Dermes foi gravado em Piracicaba – SP e dedicado a Oxum. Além disso, conforme relata o autor, aos 04 anos foi desenganado pelos médicos e sua mãe fez uma promessa a Nossa Senhora Aparecida pela saúde do filho. Dermes, que já visitou diversos santuários marianos no Brasil e também em Fátima, afirma que a energia de Aparecida é única e suplanta dogmas e concepções teológicas.

Residente em Blumenau – SC desde o início de 2015, onde dirige a T. U. Iansã Matamba e Caboclo Jiboia (TUIMCAJ), presidida por sua esposa, Mãe Karol de Iansã, Dermes é autor do anteprojeto apresentado pelo então vereador Jefferson Forest, responsável pela criação do Dia Municipal de Oxum (Lei 8374/2017). “Para nós é uma alegria muito grande juntar umbandistas, candomblecistas, católicos e outros na celebração do amor, no cuidado com as águas. Amor de mãe une, não separa”, comemora Dermes.

Mestre em Literatura Brasileira pela USP, onde também se graduou em Letras, terapeuta holístico e professor desde 1991, Dermes prepara a publicação de outros 08 livros para 2018.

Por: Ademir Barbosa Júnior

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O LIVRO DE OURO DOS ORIXÁS (Ademir Barbosa Júnior)



Introdução

(Algumas considerações pessoais do autor, sempre em consonância e em respeito à diversidade de conceitos na Umbanda, presente em todos os seus livros, inclusive neste)

A Umbanda cultua e trabalha com Orixás. Não são “caboclos ou falangeiros” de Orixás, mas os próprios, que se manifestam de vários modos, inclusive mediunicamente por meio da incorporação. Nunca encarnaram e pertencem a um grau de adaptação aos encarnados e aos indivíduos em que incorporam, evidentemente tendo ainda de baixar seu alto padrão vibratório para tal. Ora, quando alguém migra do Candomblé para a Umbanda ou vice-versa, por exemplo, o Orixá que o assiste e/ou incorpora muda? Não e por várias razões. Uma delas é porque o Orixá de Umbanda também é doutrinado, assentado etc., de modo que os elementos materiais facilitem e sustentem energeticamente a ação espiritual.

A ação dos Orixás é universal. São forças da natureza e, ao mesmo tempo e em muitos graus e níveis, espíritos individualizados de alto grau e que nunca encarnaram. Vários povos os cultuam de maneiras diversas, com outros nomes, mas a semelhança, sem dúvida, salta aos olhos. O desenvolvimento e a doutrinação dos Orixás que trabalham em terra é que os fazem falar ou não; falar em português ou em iorubá ou outra língua africana; mover-se de tal ou qual forma; beber e fumar ou não.

Há regências específicas de Orixás, como as anuais, contudo, ao contrário do que muitos sustentam, não incidem apenas sobre iniciados em cultos de Nação. Ora, se a ação dos Orixás é universal, assim como toda maneira e/ou egrégora, tal qual o Zodíaco ou o Horóscopo Chinês, como a Espiritualidade poderia privilegiar um filho ou um poço em detrimento de outros? Vale lembrar que a ação dos Orixás é universal, não uma pequena chuva a cair apenas sobre a cabeça de quem está sem guarda-chuva e, mesmo que incidisse apenas sobre quem os reconhece e cultua desta ou daquela maneira, isso não caberia, então, apenas aos Cultos de Nação, mas também a outras religiões, como a própria Umbanda.

*

Em algumas das religiões mais tradicionais, notadamente as cristãs, a questão de gênero é bastante desfavorável para mulheres, homo e transexuais. A queda da humanidade se dá por iniciativa do feminino (Eva) enquanto o resgate ocorre por uma mulher que a tradição dessexualizou (Maria). Lilith, a primeira esposa de Adão, a que escolhia “ficar por cima” no ato sexual não aparece nos cânones. Bruxas (mulheres sábias) foram queimadas. Oficialmente Deus é masculino.

Embora parte do Cristianismo não aceite esses princípios (o Papa João Paulo I afirmou que Deus, mais do que Pai, é Mãe; a Igreja Anglicana, de forma mais acolhedora, abençoa casais homoafetivos; o Papa Francisco tem avançado no diálogo com homossexuais e aberto a possibilidade de ordenar mulheres), é comum ouvir entre seminaristas católicos romanos que algo mal feito “é coisa de freira”.
A Umbanda seria diferente? Enquanto os Cultos de Nação, em sua origem, eram verdadeiros matriarcados, nos quais apenas as mulheres incorporavam Orixás (o que não deixava de ser uma forma de afirmação do feminino, mas também de exclusão), célebre autor umbandista afirmou que não existe dirigente espiritual legítima do sexo feminino. Por outro lado, na Umbanda, tem sido cada vez mais forte a presença de Ogãs (sim, Ogãs, e não “atabaqueiras”) do sexo feminino. Tanto na Umbanda quanto nos Cultos de Nação é forte a presença de irmãos homo, bi, trans etc.

Contudo, ainda existem certos tabus na Umbanda, nos quais geralmente o machismo e o patriarcalismo passam despercebidos. Ou nem tanto. Enquanto, por exemplo, Ogum fuma e bebe, o mesmo é visto como algo estranho se for feito por Iansã. Por quê? Pela mesma lógica em que se aceita o corte nos abatedouros e nos açougues, e não nas casas de Culto de Nação e nos templos umbandistas onde o corte é fundamento. Ou seja, lógica nenhuma. Se o fumo e a bebida são fundamentos de uma Iabá, como o são para um Aborô, procure-se compreender o porquê da utilização dos mesmos.
Eu me orgulho de ter sido levantado Pai Pequeno por uma Iansã Matamba que fuma e bebe. E também me orgulho de, como Pai Pequeno, ter podido levantar sua filha, em seus cinco anos como dirigente espiritual. A mesma Iansã Matamba me levantará Pai Maior em agosto de 2016. Sua filha é minha esposa, outro tabu na Umbanda (como diz Mãe Karol, se somos todos irmãos, então vivemos todos em incesto espiritual ao consagrar alguém, abençoar, oferecer sacramentos?). Aliás, a Umbanda, uma religião que tem fundamento, como se canta em vários de seus pontos, tem apresentado nos últimos anos uma velha novidade: o dogma. É o dogma que não permite o levantamento acima citado, é o dogma que afirma que alguém só pode ser dirigente espiritual se incorporar, é o dogma que, por outro lado, desconsidera o apontamento espiritual para a dirigência e sugere que todos devem abrir templos, mesmo sem o resguardo da espiritualidade, é o dogma que diz que Iansã não pode beber e fumar.

Pelo fato de a Iansã Matamba que rege nossa casa beber e fumar (note-se: não é a única, inclusive em Santa Catarina), chegamos a ser apontados como marmoteiros e até expulsos de uma federação de Umbanda e Candomblé (estranho não terem se importado com a casa de Balneário Camboriú). Tenho orgulho disso (“disso”: dos fundamentos da casa e também da expulsão de uma instituição que prima por politicagem e não pela espiritualidade e pelo direito do Povo de Axé). Irmãos que já comeram e beberam (e muito!) em nossa casa fala mal de Mãe Iansã. Mas eu não vi até hoje algum desses irmãos boquirrotos, macho ou fêmea, que tivessem a coragem e a ousadia de perguntar à própria Iansã, à sua médium, a este Pai ou a qualquer filho da casa o porquê do fumo e da bebida como fundamentos dessa Iabá. Sabem por quê? Porque o machista e patriarcal teme mulher de cabeça erguida, ainda mais de espada na mão, como é Oxum Apará, como é Kayala e, sobretudo, como é Iansã.
E que bons ventos cheguem às cabeças ocas!

Axé!

*

Orixá é Amor Verdadeiro, e Amor Verdadeiro nunca faz mal.

Orixás, Guias e Guardiões caminham conosco na expectativa de que nós também caminhemos com eles.

Ademir Barbosa Júnior

Orixás na Umbanda

Etimologicamente e em tradução livre, Orixá significa “a divindade que habita a cabeça” (em iorubá, “ori” é cabeça, enquanto “xá”, rei, divindade), associado comumente ao diversificado panteão africano, trazido à América pelos negros escravos.  A Umbanda Esotérica, por sua vez, reconhece no vocábulo Orixá a corruptela de “Purushá”, significando “Luz do Senhor” ou “Mensageiro do Senhor”.

Cada Orixá relaciona-se a pontos específicos da natureza, os quais são também pontos de força de sua atuação. O mesmo vale para os chamados quatro elementos: fogo, terra, ar e fogo. Portanto, os Orixás são agentes divinos, verdadeiros ministros da Divindade Suprema (Deus, Princípio Primeiro, Causa Primeira etc.), presentes nas mais diversas culturas e tradições espirituais/religiosas, com nomes e cultos diversos, como os Devas indianos. Visto que o ser humano e seu corpo estão em estreita relação com o ambiente (o corpo humano em funcionamento contém em si água, ar, componentes associados à terra, além de calor, relacionado ao fogo), seu Orixá pessoal tratará de cuidar para que essa relação seja a mais equilibrada possível. Tal Orixá, Pai ou Mãe de Cabeça, é conhecido comumente como Eledá e será responsável pelas características físicas, emocionais, espirituais etc. de seu filho, de modo a espelhar nele os arquétipos de suas características, encontrados nos mais diversos mitos e lendas dos Orixás. Auxiliarão o Eledá nessa tarefa outros Orixás, conhecidos como Juntós, ou Adjuntós, , conforme a ordem de influência, e ainda outros. 

Na chamada coroa de um médium de Umbanda ainda aparecem os Guias e as Entidades, em trama e enredo bastante diversificados (embora, por exemplo, geralmente se apresente para cada médium um Preto-Velho, há outros que o auxiliam, e esse mesmo Preto-Velho poderá, por razões diversas, dentre elas missão cumprida, deixar seu médium e partir para outras missões, inclusive em outros planos). De modo geral, a Umbanda não considera os Orixás que descem ao terreiro energias e/ou forças supremas desprovidas de inteligência e individualidade. Para os africanos (e tal conceito reverbera fortemente no Candomblé), Orixás são ancestrais divinizados, que incorporam conforme a ancestralidade, as afinidades e a coroa de cada médium. No Brasil, teriam sido confundidos com os chamados Imolês, isto é, Divindades Criadoras, acima das quais aparece um único Deus: Olorum ou Zâmbi. Na linguagem e na concepção umbandistas, portanto, quem incorpora numa gira de Umbanda, segundo alguns segmentos não são os Orixás propriamente ditos, mas seus falangeiros, em nome dos próprios Orixás, ou, conforme outros segmentos, Orixás sim, contudo com um nível hierárquico mais abaixo. A primeira concepção está de acordo com o conceito de ancestral (espírito) divinizado (e/ou evoluído) vivenciado pelos africanos que para cá foram trazidos como escravos. Mesmo que essa visão não seja consensual (há quem defenda que tais Orixás já encarnaram, enquanto outros segmentos umbandistas – a maioria, diga-se de passagem – rejeitam esse conceito), ao menos se admite no meio Umbandista que o Orixá que incorpora possui um grau adequado de adaptação à energia dos encarnados, o que seria incompatível para os Orixás hierarquicamente superiores. Na pesquisa feita por Miriam de Oxalá a respeito da ancestralidade e da divinização de ancestrais, aparece, dentre outras fontes, a célebre pesquisadora Olga Guidolle Cacciatore, para quem, os Orixás são intermediários entre Olórun, ou melhor, entre seu representante (e filho) Oxalá e os homens. Muitos deles são antigos reis, rainhas ou heróis divinizados, os quais representam as vibrações das forças elementares da Natureza – raios, trovões, ventos, tempestades, água, fenômenos naturais como o arco-íris, atividades econômicas primordiais do homem primitivo – caça, agricultura – ou minerais, como o ferro que tanto serviu a essas atividades de sobrevivência, assim como às de extermínio na guerra. 

Entretanto, e como o tema está sempre aberto ao diálogo, à pesquisa, ao registro de impressões, conforme observa o médium umbandista e escritor Norberto Peixoto, é possível incorporar a forma-pensamento de um Orixá, a qual é plasmada e mantida pelas mentes dos encarnados. Em suas palavras,  era dia de sessão de preto (a) velho (a). estávamos na abertura dos trabalhos, na hora da defumação. O congá ‘repentinamente’ ficou vibrado com o orixá Nanã, que é considerado a mãe maior dos orixás e o seu axé (força) é um dos sustentadores da egrégora da Casa desde a sua fundação, formando par com Oxóssi. Faltavam poucos dias para o amaci (ritual de lavagem da cabeça com ervas maceradas), que tem por finalidade fortalecer a ligação dos médiuns com os orixás regentes e guias espirituais. Pedi um ponto cantado de Nanã Buruquê, antes dos cânticos habituais. Fiquei envolvido com uma energia lenta, mas firme. Fui transportado mentalmente para a beira de um lago lindíssimo e o orixá Nanã me ‘ocupou’, como se entrasse em meu corpo astral ou se interpenetrasse com ele, havendo uma incorporação total. (...) Vou explicar com sinceridade e sem nenhuma comparação, como tanto vemos por aí, como se a manifestação de um ou outro (dos espíritos na umbanda versus dos orixás em outros cultos) fosse mais ou menos superior, conforme o pertencimento de quem os compara a uma ou outra religião. A ‘entidade’ parecia um ‘robô’, um autômato sem pensamento contínuo, levado pelo som e pelos gestos. Sem dúvida, houve uma intensa movimentação de energia benfeitora, mas durante a manifestação do orixá minha cabeça ficou mentalmente vazia, como se nenhuma outra mente ocupasse o corpo energético do orixá que dançava, o que acabei sabendo depois tratar-se de uma forma-pensamento plasmada e mantida ‘viva’ pelas mentes dos encarnados..

No cotidiano dos terreiros, por vezes o vocábulo Orixá é utilizado também para Guias. Nessas casas, por exemplo, é comum ouvir alguém dizer antes de uma gira de Pretos-Velhos: “Precisamos preparar mais banquinhos, pois hoje temos muitos médiuns e, portanto, aumentará o número de Orixás em terra.”

São diversas as classificações referentes aos Orixás na Umbanda. A título de exemplo, observe-se a tabela abaixo:

1. Orixás Virginais
Responsáveis pelo reino virginal.
2. Orixás Causais
Aferem carma causal
3. Orixás Refletores
Responsáveis pela coordenação da energia (massa).
4. Orixás Originais
Recebem dos três graus anteriores as vibrações universais.
5. Orixás Supervisores
Supervisionam as leis universais.
6. Orixás Intermediários
Senhores dos tribunais solares do Universo Astral.
7. Orixás Ancestrais
Senhores da hierarquia planetária.

Há também diversas classificações sobre os graus de funções dos Orixás, como a que segue abaixo: 

Categoria
Grau
Denominação
Orixá Maior
-
-
Orixá Menor
1º.
Chefe de Legião
Orixá Menor
2º.
Chefe de Falange
Orixá Menor
3º.
Chefe de Subfalange
Guia
4º.
Chefe de Grupamento
Protetor
5º.
Chefe Integrante de Grupamento
Protetor
6º.
Subchefe de Grupamento
Protetor
7º.
Integrante de Grupamento

Os Orixás conhecidos na Umbanda são os Ancestrais, subordinados a Jesus Cristo, governador do Planeta Terra. Os mais comuns na Umbanda são Oxalá, Obaluaê, Ogum, Oxossi, Xangô, Iansã, Iemanjá, Nanã, Oxum. Oxalá praticamente não incorpora na Umbanda, exceções feitas a determinados segmentos, porque se considera que todos são filhos de Oxalá e que os médiuns não têm o padrão vibratório adequado para incorporar esse Orixá. Muitos segmentos umbandistas apontam como principal a chamada Tríade do Coronário dos médiuns, isto é, Eledá (Pai ou Mãe de Cabeça) e Adjuntós. Outros preferem trabalhar um conceito quarternário: Pai e Mãe de  Cabeça, Padrinho e Madrinha. Aborô é Orixá de energia masculina, enquanto Iabá, de energia feminina. Metá-metá ou metametá é o Orixá de natureza dupla, que carrega a energia masculina e feminina, certamente também pela semelhança com o vocábulo português “metade”. Contudo, em iorubá, “méta-méta” significa “três ao mesmo tempo”. No caso, Logun-Edé, por exemplo, seria metá-metá porque traz em si a sua natureza, a do pai (Oxóssi) e a da mãe (Oxum).

Alguns dos Orixás apresentados neste livro não são cultuados diretamente na Umbanda ou isso acontece muito pouco.

Orixás pessoais compõem a banda visível e/ou invisível de um médium. Orixás (bem como Guias e Guardiões, na terminologia cotidiana dos terreiros) individualizados, que trabalharão com determinado médium, em fundamento e/ou manifestação explícita, em especial na incorporação, por meio da intuição e outros tantos meios.

Por: Ademir Barbosa Júnior